Neste livro vivem as portas que a memória não fecha.
Este é um romance de vozes entrelaçadas em torno de Deolinda, a criada-menina que acompanha uma família ao longo de toda a sua vida. Como tantas crianças-mulheres da história portuguesa, foi arrancada cedo à infância para servir, crescer depressa e aprender o silêncio. Ficou, assim, inscrita na intimidade das casas e das memórias, presença discreta e indelével.
À volta de Deolinda gravitam histórias marcadas pela violência dos afetos e dos tratos, atravessando famílias ricas e pobres, e deixando feridas que o tempo não apaga. O romance revela como essa violência molda destinos, contamina futuros e se perpetua, invisível, geração após geração.
As três personagens encontram-se na escrita. Escritor e editora confundem-se, fundem-se, e é desse encontro que nasce a vertigem do sofrimento - dita, escrita, finalmente escutada.
Obra distinguida por unanimidade pelo júri do Prémio Literário João Gaspar Simões, que destacou «a qualidade da estrutura formal»,
«a inteligência da estratégia narrativa» e «a dimensão sociológica da obra, que problematiza a relação entre indivíduo, memória e comunidade».