O livro traz ao público um prisma pouco analisado na literatura especializada: o do entrecruzamento do racismo, do patriarcado e do latifúndio no Nordeste brasileiro.
A partir de um olhar sensível sobre a questão agrária, o livro mergulha em questões estruturais das desigualdades brasileiras para pensar como a concentração de terra molda a vida em nosso país. O agronegócio além de concentrar a terra e degradar o meio ambiente perpetua estruturas de opressão que atingem diretamente as comunidades camponesas.
O livro parte dessa realidade agrária nordestina para trazer à luz, a realidade das mulheres negras camponesas no Nordeste, cujas histórias e trabalhos foram, por muito tempo, mantidos na invisibilidade. Ao conectar os fios do racismo e do patriarcado às relações de classe e capital apresenta uma reflexão necessária para quem deseja entender a nossa formação socioterritorial e a urgência de debater o direito à terra com um olhar interseccional.
Além disso, esta obra celebra a esperança e a força da organização popular. Ao destacar o protagonismo dessas mulheres na luta pela Reforma Agrária Popular, o texto nos mostra que o campo nordestino não é apenas um lugar de dor, mas um território de resistência.
O livro de Rosa Negra, Latifúndio, Racismo e Patriarcado: Feridas Abertas no Campo Nordestino, é o resultado de um acúmulo de sua militância em defesa da Reforma Agrária Popular e se apresenta como importante contribuição para desvelar algumas das facetas das desigualdades de gênero e raça, mas, sobretudo, aguça a nossa imaginação sobre as potencialidades que essas mulheres possuem quando, no enfrentamento ao modelo de desenvolvimento agrícola hegemônico adotado no país, criam territórios e comunidades e fazem, a partir destas, significativas experiências de existências e possibilidades de futuro.